Alimentação para velocistas e fundistas, há diferenças?

novembro 25, 2018
admin

Espero convencer vocês leitores dessa resposta com alguns pontos importantes a ser pensado. O fato é que a alimentação é um dos fatores que pode otimizar o desempenho independente da atividade. Quando equilibrada pode reduzir a fadiga, o que permitirá que o indivíduo treine por mais tempo ou que se recupere mais rapidamente entre as sessões de exercícios. Possivelmente, a nutrição pode reduzir lesões, ou repará-las mais rapidamente, afetando a saúde geral do atleta e consequentemente a situação de treino.

A alimentação adequada pode otimizar as reservas de energia para competição, afetando tanto atividades de velocidade quanto de resistência. E como diferenciar a alimentação entre fundistas e velocistas?

Primeiramente é necessário entender como é a rotina do dia a dia do nadador. Trabalho, estudos e treino! Conheço velocistas que chegam a treinar de 40 a 50 km semanais ou até mais e fundistas que não dobram (dois treinos por dia).

Compreender que para uma mesma prova existem diferentes filosofias de treinamento, que por sua vez pode gerar diferentes fatores determinantes para a performance do treino e a partir dai elaborar estratégias nutricionais para atenuar esses fatores. Em grande parte da consulta tento compreender o próprio treinamento.

Outro fator importante é verificar a composição corporal do atleta e dentro do planejamento técnico alterar a dieta para que consiga atingir o máximo da performance. Vale a pena lembrar que na maioria dos esportes quanto maior a porcentagem de gordura, menor o desempenho competitivo.

Por fim e não menos importante é trabalhar em cima da individualidade. O “estresse” e o acumulo gerado do treinamento é algo individual. Pra mim não faz sentido fazer uma dieta restrita para um fundista ou velocista que esta “fora” de forma reclamando de cansaço a semanas e com queda no rendimento.

De modo geral fatores determinantes para os fundistas seriam o consumo energético, carboidrato adequado (glicogênio) e a glicemia durante o treinamento. Já para os velocistas o consumo energético, carboidrato adequado e acidose (gerado pelo exercício intenso).

É importante frisar que é muito diferente consumir 3.000 kcal de fast food e 3.000 kcal de macronutrientes oriundos de frutas, verduras, carboidratos integrais, gorduras “saudáveis” e proteína de “boa” procedência. Portanto, a melhor dica é ficar atento ao período, volume, duração, intensidade de treino e aos “sinais do corpo”. E assim de maneira “saudável”, adequar o consumo de energia nos dias ou período de maior gasto ou de estresse.

 

Alan Nagaoka

Nutricionista do Comitê Paralímpico, do Sport Club Corinthians Paulista e Pulse Medicina Esportivo. E nadador “semi aposentado” (difícil de largar o vício).

Fonte: Swim Channel